Ela dança

Observatório da Percepção

Chegou sozinha e olhou pro salão como se fosse a dona da festa. E todos olharam de volta esperando convite pra dançar com a moça feliz.

Ela se ria e rodava noite afora sem tomar conhecimento de ninguém. Aos convites dos homens que desejavam bailar, a moça sequer respondia, seguia dançando consigo mesma.

O desejo não correspondido foi se transformando em ódio. Os homens não suportavam a desfeita daquela que lhes negava o riscar conjunto do piso encerado e as mulheres irritavam-se com o descaso, resultado da atenção monopolizada pela moça bailarina. Ela, alheia a tudo o que não fosse música, não sentia os humores se alterando à sua volta.

Um ser já embriagado de fúria e álcool não aceitou continuar sendo ignorado; engoliu de uma vez a cachaça, mas o desaforo não lhe desceu a garganta. Segurou a dama pelo braço, fitou o rosto dela com ordem e luxúria…

Ver o post original 148 mais palavras

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s